domingo, 9 de maio de 2010

Orfeu e Eurídice

http://www.youtube.com/watch?v=utmG3OAjBXs

Sonhando ser Orfeu apaixonado
Lira na mão cantando feito louco
Vou perdendo a cabeça pouco a pouco
Vivendo um grande amor não consumado.

Mil versos que eu compus tão desolado
Tornam meu coração mui triste e oco
Eurídice eu cantando fico rouco
Me tire deste inferno, estou queimado.

Por que mia lira já não mais lhe encanta?
Amor quero versar sobre esse mito
Da serpente fazendo-lhe uma santa.

Vou lhe cantar, meu bem, para o infinito
E mesmo que a (tristeza) seja tanta (distância)
Terei você comigo amor bendito.

domingo, 2 de maio de 2010

Vazio

Amei com toda a força contra o vento
Só que ela ignorou minha existência
Ai Senhor, por favor, dai-me paciência
Para assim superar este momento.

Por que tanta dor, tanto sofrimento?
Se eu ao menos tivesse consciência
Que o grande amor difere da ciência
Não passaria por todo este tormento.

Hoje estou aqui, triste, velho, opaco
Definhando completo, moribundo
Tal qual luz apagada já sem brio.

Sou de um copo quebrado, o puro caco
Em um entristecer muito profundo
Que faz com que eu me sinta assim vazio.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Sonnet for an angel called Amanda

Sonhar, sonhar, sonhar não custa nada
E é por isso que eu vivo essa ilusão
De um dia ter você minha paixão
Andando a pé comigo de mão dada.

Amor, amor, amor conto-de-fada
Me faz ter sonhos doces de algodão
Perdido entre a razão e a emoção
Ficando preso a ti princesa amada.

Quem me dera sorrir pra não chorar
Viver o platonismo consumado
Sentir o meu amor correspondido.

Mas os beijos que não pude lhe dar
Trago-os no coração bem apertado
São lembranças do amor sequer vivido.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Natal na tal diferença





Natal na tal diferença*

Três reis magrotóxicos
Menteorpecem quando
Me mostram o caminho
Para o forte à beira mar.

Andando ouço pássaros
Sinto a brisa
Que me beija e me alisa
Em mais um momento de profunda solidão
E um denso fazer poético.
(Ah, a poesia, minha terna eterna companheira de viágil
que me deu poemas em Barcelona, Paris, Lisboa,
Angra dos Reis, São Paulo, Rio de Janeiro, Ilha Grande,
dentre outros lugares de lira delirantes, reais ou imagináridos).
Foi essa maldita poesia que virou e disse:
Natal, Duna-se ao poeta
E eis que surgiu um poemaranhado de imagens aluinsinuantes
De quem possui a sensi-habilidade de um beija-cor.

Vejo a água do mar
Cristalinda e cristalímpida
Feita diamante cristalimpidada:
A água bruta virou jóia
Que eu sonho em dar pro meu amor.

Tiro a máquina fotográfica do bolso
E peço que ela aponte a ponte
Por mim fotogrifada.
Como uma Palavrestruz
Que transformo em
A-R-T-E.
Dentro do mundo que criei pra mim
Com meus olhos limitados na vista
Pois tudo que vejo é poesia pura
Por mais que pareça loucura.

O rejuvenascer do sol está che-aguando
Por trás de um oceano MARgnífico
E lado alado de um navio cargueiro
Que parece jorrar aquela bola de fogo
Feito um naviulcão em cargueirupção
Captado e cooptado pelas minhas lentecostais
Santintimista trindádiva naturaliterando a paisaragem fluToante feito rima
De João Cabráulio Reto.

E eis que surge o feto
De um céu grávido
E faz nascer um dia irradistante
No qual vou longe sem sair do lugar
Pés no chão
Cabeça nas nuvens,
Assim começo o dia.

Aliás, que dia
Que bendito dia
Que já começa em poesia.

* Alusão a um poema meu no qual eu falava sobre o Natal na tal mesmice, sendo Natal a festa de fim de ano e não a cidade de Natal. Neste poema eu dizia estar cansado de pessoas que pregam apenas no Natal uma certa postura e falava que iria dar socotone na cara dos políticos, enfiar paunetone goela abaixo dos corruptos, etc. Sem paciência para a mesmice do Natal, da+i ficava o jogo Natal na tal mesmice e, por isso, agora, utilizei Natal na tal difeCrença poética.

domingo, 11 de abril de 2010

Minha trilha é...

Não tenho olhos claros,
Nem um corpo bonito,
Meu sorriso é triste,
Minhas pernas tortas.

Não malho em academias,
Nem tomo anabolizantes,
Meu cabelo é raspado,
Minhas unhas sujas.

Não tenho carro conversível,
Nem dinheiro pro ônibus,
Meu andar é solitário,
Minhas caminhadas longas.

Não tenho emprego,
Nem qualificação,
Meu conhecimento é pouco,
Minhas perspectivas nulas.

Não tenho namorada,
Nem possuo amigos,
Meu comportamento é anti-social,
Minhas idéias revolucionárias.

Não tenho coração,
Nem pretendo viver,
Meu destino é vegetar,
Minha trilha é a morte.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Frag-mentes Sem Número de Opus


vestidolatrar a hino-existente pátria-armada de bandeira roxa quadriculadra de cor ações arte-culando palárvores repentinamentelequiosso puro de doer todo arrepirado com olhos ardoendo por pereceberem tanta luz lisa na lousa lusa de um vestido que não é blusa mas que ela usa a abluesa abduz e seduz para assim sim com sua sina cínica conduzir o fio da meada da sonora idade rimada no Empanada reluzir e reduzir o poeta ao nada com a boca calada em um calafrio febrio de fevereiro sem eiro nem bueiro onde jogar o poema-esgoto que me esgota gota a gota mas que maravilha de garota filha de deusa louca me deixando resPIRADO como fixo normal mente após tomar uma chuva em norma de tempo e estado gasoso evaporo viro brisa após entrar em ebulição e ébrio e são apr(e)endo a lição de que obSERVO da poesia já não sou poeta que cria poemas e sim sou o poeta que a poesia inventou pois a poesia é maior que meu nome o poema é melhor que o homem como diria SchopenBayern de Munique e se seu nome fosse Monique Mônica ou tivesse em outra sílaba a tônica ainda seria biônica a ponto de forçar o tonto a forjar escriptonitas que fazem qualquer super herói perder a força diante da arte irradiantecipadora do que está por vir a ser por vir nascer pois sou a rã guarda-costas de um brejo nebrilhorroroso tudo junto numa coisa dó ré mi fá solidamente musicalado e após tudo depois de mudo na reprolixidade proclamo cansado este poema está em cerrado na serra dos Piro nos Eus Pireneutanásia saio do coma para entrar na soma adiacionando um ovo estilo literárido dou à arte muito mais do que recebulição feito um deserto de certo léxico-luthor Am I Dark Quente?


Aqui o áudio que gravei desse texto:

http://www.youtube.com/watch?v=s6JCmnpCUjQ

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Em Maio de 2008 comecei uns escritos que chamei de Frag-mentes e são pequenos fragmentos neológicos, às vezes misturando N línguas nos neologismos e duvido que tenha criado mais de 10 desses fragmentos desde então, sendo um de meus dois "projetos mais auda-ociosos" literaria-mente calando. Alguns demoraram 7-8 horas para ficar pronto e têm apenas 10-15 linhas. Sim, muito trampo abrir N dicionários e ficar misturando línguas-palavras como PUELLABORARTISTICALLY que contém PUELLA (menina em Latim) ELABORAR do português e ARTISTICALLY (obviamente, artisticamente em inglês) e seria elaborar uma menina artística. Aliás, a série de fragmentes começa com essa palavra, como se o escritor desejasse inventar a mulher-arte que, segundo seus ideais platônicos, seria a mulher ideal. Aquela que lhe acompanharia aos concertos, nas leituras de cerca de 100 livros anuais, nas peças de teatro, exposições, etc, etc, etc.


Enfim, ontem eu escrevi um poema em um bar que acabou sendo o embrião de mais um Frag-mente que, dessa vez, ao invés de trabalhar com dicionários, deu uma focada no fluxo de consciência, principalmente depois do uso da palavra resPIRADO. Depois como todo texto, reescrevendo, reelaborando, deixando mais complexo e criando as notas de rodapé, ficará mais interessante, porém, por enquanto ele foi assim mesmo como puderam ler acima.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Três vivas para Mário Bortolotto

Ao contrário de um franguinho lazarento como o Castro Alves que morreu de gangrena depois de dar tiro no próprio pé, Marião tomou dois tiros e continua vivo, tendo recebido alta hoje pela manhã.

Castro Alves, que deveria ter morrido antes de escrever tudo o que escreveu, assim como Machado de Assis, também criou teatro mas, o teatro brasileiro, em minha opinião, se inicia com Oswald de Andrade, passa pelo Nelson Rodrigues, avança com Plínio Marcos e algum Millôr Fernandes e desemboca no Mário Bortolotto, sem dó. Em paralelo ou quase em paralelo, alguns diretores como José Celso, Antunes Filho e Gerald Thomas.

Mas, enfim, eu queria saber onde estava o covardão do Mirisola no momento do ocorrido com o Marião? E, pra finalizar, um poema.

Mário Bortolloto
É baleado mas não morto
Recebe alta e vira outro
Mas continua pelo esgoto.

Marginal com tempo errôneo
Pela arte se mantém idôneo
Não nos relega ao abandono
Hoje de nosso teatro é dono.

Bortolouco de pedra
Bebe que é uma bebeleza
Escreve crueldades sem beleza
Trazendo o real de nosso país
Que de tão infeliz
Mete o pó pelo nariz.

Nariz na histeria
Marião na alegria
Mostrou que é guerreiro de fato
Vai lá mano, continua o seu teatro.